Soja R$ 161,14 ▲ 1,07%Milho R$ 70,96 ▲ 1,04%Boi gordo R$ 346,00 ▲ 0,46%

Agronegócio

UE para compras de carnes e produtos do Brasil; agropecuária espera fim do embargo

Redação BDN
Redação BDN

Publicado em

3 min de leitura
Foto: Reprodução

A União Europeia suspendeu, a partir desta quinta-feira (3), a importação de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil, incluindo carne bovina, suína, frango, mel, pescados e ovos. A suspensão atinge os 27 países do bloco e foi motivada por preocupações relativas ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal brasileira.

A decisão da UE não se baseia na identificação de contaminação nos produtos, mas na falta de garantias suficientes sobre o controle e fiscalização do uso dessas substâncias no Brasil. Entre as exigências está a proibição do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento e medicamentos exclusivos para tratamento humano.

Auditoria segue em andamento

Representantes da União Europeia estão realizando uma auditoria nas cadeias produtivas de frango e mel no Brasil, que deve ser concluída até sexta-feira (4). Os resultados ainda serão avaliados pelas autoridades europeias durante cerca de dois meses, com decisão final aguardada para novembro durante reunião do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia (SCoPAFF).

Negociações e adaptações brasileiras

Desde o início do embargo, o governo brasileiro tem buscado negociar com a UE e implementou medidas para atender às exigências, como a proibição do uso de certos antimicrobianos. Um novo protocolo foi apresentado para monitorar o uso desses medicamentos desde o nascimento até o abate dos animais. Todas as empresas brasileiras associadas à Abiec aderiram ao protocolo.

Desafios para a carne bovina e perspectivas para o frango

Apesar dos esforços, a carne bovina enfrenta um desafio maior devido ao longo ciclo produtivo, que pode levar até 36 meses, exigindo tempo para adaptação antes de retomar as exportações para a UE. Por outro lado, o setor de aves, com ciclo produtivo de cerca de 45 dias, tem maior capacidade de resposta e pode retomar as vendas ainda em 2026, dependendo do resultado da auditoria.

A ABPA destaca que a produção destinada à UE já é separada, facilitando o atendimento às exigências europeias.

Importância do mercado europeu e impactos

Embora a UE represente uma parcela menor das exportações brasileiras de carne bovina (aproximadamente 5,8%), o mercado é estratégico por sua preferência por cortes nobres e de maior valor agregado. A substituição desse mercado não é considerada direta.

No caso do frango, as exportações podem ser redirecionadas a outros países ou ao consumo interno, considerando a ampla carteira de clientes do Brasil. Em 2025, o setor já enfrentou suspensão temporária devido a restrições relacionadas à gripe aviária.

O setor apícola também foi afetado pela suspensão, que interrompeu o crescimento das exportações brasileiras de mel para a UE, que vinham aumentando após aumento nas tarifas dos EUA.

Reações do agronegócio e próximos passos

Produtores brasileiros consideram a medida preocupante e questionam o momento da suspensão, que ocorreu logo após o início do acordo de livre comércio entre UE e Mercosul. Enquanto o Brasil enfrenta o embargo, outros países do bloco continuam autorizados a exportar.

No curto prazo, o setor aguarda a conclusão da auditoria, seguida pela análise das autoridades europeias. Caso o embargo seja revisto, especialmente para o frango, o retorno da carne bovina aos mercados europeus dependerá do cumprimento das normas ao longo do ciclo produtivo.

Esse episódio ressalta a necessidade de protocolos rigorosos de rastreabilidade e controle sanitário no Brasil, diante das maiores exigências internacionais relativas à segurança alimentar e sustentabilidade.

Compartilhe esta notícia

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Comentários passam por moderação.